segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A escola do futuro ou do passado?

Comecemos com uma leve comparação...

De um lado temos uma pessoa pró-tecnologia, libertadora e construidora de novos espaços.
"Fantásticas tecnologias! Incrível conhecimento instantâneo! Facilidade de acesso a informação! Possibilidade de se encontrar velhos amigos! Possibilidade de falar, viver, rir e crescer sem sair de casa! Não somos nada sem ela! Somos o futuro!"

Do outro temos uma pessoa contra-tecnologia, conservadora e mantenedora dos velhos espaços.
"Horríveis tecnologias!Depredação dos velhos costumes, aliciadora dos nossos filhos! Lugares de maus elementos! Fuga das nossas raízes ancentrais! Acaba com o contato entre as pessoas, acaba com a relação entre os amigos e a família! Devemos abandoná-la e usá-la apenas quando muito necessário!
Somos o passado!"

E você de que lado está? Acha que a tecnologia é malvada? Ou bondosa? Ou não acha nada? Ou acha tudo? Acha que na educação dos seus filhos elas devem ser utilizadas? Ou proibidas? O que vocês acham?

Mas que dualidade, hein? Afinal de contas a tecnologia é uma coisa boa ou mal?

Haha, adoro provocar dúvidas, mas infelizmente não tenho a resposta pra nada.
Só tenho algumas colocações a serem postas...

Pois bem vamos lá, tentarei dar um breve histórico de como eu fui educado, e de como os jovens de hoje em dia estão sendo educados, e a partir disso construir um embasamento crítico e teórico para que possamos agregar algum tipo de conhecimento a discussão.

Quando ainda estava na pré-escola, realizávamos atividades de leitura do alfabeto (A, B, C, etc.), e escrita das letras, treinavámos a escrita, com a letra de mão e com a letra de forma. Além disso realizávamos grande parte das atividades sem auxílio nenhum de tecnologia digital, apenas lápis e papel. Na parte artística era assim também, na hora de colorir e desenhar, tudo a mão!
Hoje em dia, temos um contraste um pouco diferente, com o avanço das tecnologias digitais e com a introdução do computador em nossos cotidianos, muitas das práticas de escrita e desenho manuais estão sendo deixadas de lado, em prol de uma eficiência maior, que é realizada pelo computador, que automaticamente corrige os erros de escrita e ensina os educandos as letras do alfabeto sem a necessidade de se escrevê-las manualmente. No caso da arte também, existem escolas em que as práticas de desenho são feitas exclusivamente em softwares exclusivos, e que o ato de colorir e desenhar é feito inteiramente em tecnologias digitais.
Lembro que nessa época visitei o Parque da Mônica em São Paulo, e me apaixonei por um visor digital que permitia através do toque a coloração de algumas imagens já postas na tela! Era incrível!
E pensando agora sobre isso, me fez refletir sobre o porque de eu ter achado incrível. Acredito eu, que era pelo fato de eu ter vivenciado a coloração manual, e por isso achava a digital incrível! Se tivesse aprendido digitalmente direto acharia meio chato...

Continuando no Ensino Fundamental... nunca tive celular, professores muito menos (se tinham eu nunca via)... pra fazermos ligações fora de casa somente com cartão telefônico ou ligando a cobrar. Para me comunicar com meus colegas somente através de bilhetinhos que escrevíamos e repassávamos entre nós durante a sala de aula. Lembro que muitas das pesquisas iniciais minhas eram feitas através de enciclopédias e livros, e tinhamos que ir até uma biblioteca pesquisarmos sobre o assunto e copiar do livro (mesmo que fosse igual) para agradarmos o professor. Quando tive meu primeiro contato com um computador foi incrível! Jogava games direto! Mas para isso já tinha um video-game, então só o enxergava como forma de lazer e passatempo. Internet nem pensar, era discada e os preços eram absurdos, quando conseguíamos conectar nos finais de semana e conseguíamos baixar um arquivo de 1mb (equivalente a uma música curta) era uma euforia total! Mas foi nesta época que fui me desenvolvendo e criando uma identidade juvenil, através dos bate-papos (ICQ com 2 contatos), e através das músicas baixadas na internet que eu podia ouvir a hora que eu quisesse, e não precisasse ficar dependente da TV para ouví-las! Era incrível!
Hoje em dia, quase todas as pessoas do Ensino Fundamental possuem celular, podem ser de classe desfavorecida, mas o celular está presente! Mesmo entre os pequenos, os pais vêem o celular como uma ferramente ótima de controle dos filhos, e além disso os filhos adoram os aplicativos existentes nele, sem contar que o tipo de celular te dá um certo status social com seus colegas. Além disso, grande parte das pesquisas são feitas via internet em computadores (LAN houses, laboratórios de informática, na própria casa) e muitos dos trabalhos são simplesmente cópias (ctrl+c, crtl+v) dos grandes sites (mas antes era cópia do livro!),  e o contato entre os jovens é feito através de novas formas de linguagem com gírias e abreviações do português, com o intuito de acelerar ainda mais o diálogo entre os jovens. Nestas acelerações são esquecidas muitas vezes as normas gramaticais e muitos especialistas discutem sobre esta temática. E não nos esqueceremos das redes sociais que servem como um grande diferencial entre as geração X e a geração Y.

E no final de tudo o Ensino Médio, que apresenta conteúdo suficiente para discutirmos durante um semestre inteiro o efeito das tecnologias digitais neste grupo de pessoas. Suficiente dizer que a construção de uma identidade neste período é muito mais marcante, tanto sexual quanto profissional e pessoal, e que as tecnologias estão diretamente relacionadas a elas.

É incrível pensar que nos dias de hoje, mesmo com tanta mudança aparente entre as pessoas e as maneiras como elas lidam com o espaço, alguns espaços ainda se mantenham rígidos e estruturais. A escola, por exemplo, não se atualiza! Ou em alguns casos se atualiza demais e não sabe o que fazer!
É tanto recurso, tanto conhecimento, tanta informação, que não sabemos o que fazer com eles! E nesta temática é que entra o papel do professor nas novas tecnologias a serviço da educação.

O professor tem um papel crucial na formação destes novos jovens. Ele deve ser o articulador e o mediador destas novas tecnologias, sabendo como niguém, quando utilizar tal recurso social ou virtual, para melhorar suas aulas ou a aprendizagem dos estudantes. Deve utilizar estes recursos para melhor diálogo com os alunos, com as pessoas diferentes, deve saber utilizar o que há de melhor para possibilitar a produção de conhecimento!
Ele deve ser capaz de extrair de cada ferramenta uma característica, e através de muito estudo e competência utilizá-la da melhor maneira possível no seu dia-a-dia! Ele deve sempre estar em constante atualização, sempre por dentro das novas tecnologias, pois senão ficarão a margem dos alunos... devem enxergar isto como uma forma nova de se incluir em um mundo de redes cada vez mais complexas, como uma nova forma de aprender com os alunos! Eu ensino química, vocês me ensinam a mexer neste Iphone de última geração! Uma troca mútua de conhecimentos que todos saem ganhando! É incrível o quanto de conhecimento há hoje em dia disponível para as pessoas, e se limitarmos a capacidade de criatividade e criação destes novos espaços, estamos limitanto nossas próprias capacidades de crescer, como alunos e professores...

E agora respondendo a pergunta lá de cima, acredito que as novas tecnologias vieram pra ficar. Não há como separá-las do nosso cotidiano, é uma reação simbiótica! Cabe ao educador o desafio de melhor articular estas novas técnicas com técnicas pré-existentes! Não abrindo mão de nenhuma, mas sempre procurando conciliar ambas com o intuito de sempre progredir na roda da evolução...

Segue-se abaixo um vídeo que achei muito bom, vale a pena dar uma conferida e exemplifica tudo o que gostaria de dizer sobre o assunto...



Um grande abraço a todos!

Um comentário:

  1. Olá André,
    estou do lado do equilíbrio! Acredito que podemos utilizar as tecnologias a nosso favor e estar conectado com a evolução que elas nos possibilitam (comunicação, informação, aprendizagem), mas sem deixar de lado todas essas coisas citadas por ti e que também fizeram parte do meu processo enquanto aluna. A tecnologia sem dúvida esteve num processo contínuo de evolução e ainda está. Cabe a nós não ficarmos para trás e trazermos conosco tudo o que julgamos ser importante. Para mim é a troca entre pessoas, a brincadeira, o "sujar a mão", enfim, ser criança.

    Abraços, Anelise.

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