Já que estamos falando sobre novas formas de pensar o ensino, compartilho com vocês minha experiência com Ensino de Química de uma forma muito, mas muito diferente! Através de um grupo de teatro!
Estudei na UNESP por um período e fiz parte deste grupo desde que entrei no curso, nosso objetivo era justamente o de ensinar química de uma maneira diferente, através de reações visuais e impactantes, com conceitos históricos da ciência, passando por grandes personagens como Lavoisier, Freud, cientistas malucos e muitos outros. Isto faz parte de mim agora, não tem como retirar esta experiência.
Uma iniciativa muito legal, e que vale a pena, recomendo a todos fazerem parte destas atividades que parecem distantes do âmbito profissional, mas que na construção da sua identidade, são de um valor altíssimo.
Um abraço!
PS:Esta era nossa peça antiga, eu sou um dos caras de preto (black people), haha, temos que começar por baixo, né?
domingo, 11 de setembro de 2011
Uma mistura de tempo,experiência e conhecimento - Reflexão sobre os textos de Maurice Tardif, Danielle Raymond,Célia Maria Fernandes Nunes e Ivor Goodson.
Começo este texto com uma breve reflexão... Qual a diferença entre aprendizado e conhecimento?
Procurando uma breve definição em um dicionário e em livros que trabalham o tema, encontro as seguintes definições:
Aprendizado - O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento.
Contudo, a complexidade desse processo dificilmente pode ser explicada apenas através de recortes do todo. Por outro lado, qualquer definição está, invariavelmente, impregnada de pressupostos politico-ideológicos, relacionados com a visão de homem, sociedade e saber.
Conhecimento - O conhecimento é o ato ou a atividade de conhecer, realizado por meio da razão e/ou da experiência.
Ambas as definições nos trazem reflexões sobre os conteúdos trabalhados nos textos lidos, o conceito de saber, tempo e aprendizagem, além do conceito de currículo e futuro social.
E pergunto a vocês leitores perspicazes, sou da área de química mas me arrisco na área filosófica de vez em quando... O que é na verdade um aprendizado? Ou um saber? Será um curriculo um apanhado de saberes que se aplicado a um grupo de pessoas produz aprendizado? Como ensinar química? Como aprender química? Como ensinar alguem que queira ensinar química? Por que aprender química? Ou por que a vida é injusta? Por que perguntar? Por que ler este texto? Por que escrevê-lo? Qual o propósito disto? Estou aprendendo escrevendo isto?
Haha, garanto que muitos de vocês já se fizeram algumas destas perguntas em algum dia de suas vidas, ou até mesmo lendo o texto agora. E afirmo a vocês que principalmente as últimas perguntas são típicas. E um grupo muito específico adora realizá-las, o grupo dos aprendizes, hoje mais conhecidos como alunos.
Nos textos de Tardif e Raymond, assim como no texto de Celia Nunes, se discute a relação entre os saberes, os fenômenos de história da vida, da aprendizagem pré-profissional e a influência deste conjunto na formação da identidade docente. Goodson acaba complementando a idéia nos abrindo horizontes sobre a teoria curricular e novas formas de pensar o currículo e até mesmo sobre a influência do meio (no caso do autor, o movimento rock e punk inglês, além de sua origem) sobre a formação do professor.
Haha, mas terei de novo que ser chato, e fazer mais uma pergunta.
Um professor de química por exemplo, deve saber mais química ou saber ensinar melhor?
Pois bem, química pode ser ensinada ao ler-se um livro (assim se presume), aprende-se a teoria e assimila se o conceito constituindo assim uma aprendizagem mecânica. Logo após essa teoria é aplicada em um laboratório (infelizmente no Brasil não são todas as escolas que possuem) e ela é confirmada (ou não) fechando-se o processo. Agora você sabe que água e óleo não se misturam, mas você já sabia disso (se você cozinha)!
Bem, veja que o processo é simples, leia, memorize, aplique, tire suas conclusões e aprenda!
Pois bem, aplicando ao processo educativo então, você lê todos os autores que os professores te recomendam, Freud, Lacan, Durkhein, Marx, Locke, Freire, Goodson, Tardif, Raymond, memoriza o texto, tira suas melhores conclusões e assimila-se o conhecimento. Agora você vai para uma sala de aula aplicar suas teorias, e vê que tudo ocorre muito be... dá tudo errado! Mas onde foi que eu errei?
Era assim com a Química!
E aí você percebe a diferença entre conhecimento e aprendizagem!
Você percebe que o ato de ensinar não é algo concreto e teórico, que não pode ser aprendido a distância, que necessita ser vivenciado! E que o próprio ato de ensinar é um reflexo dos teus saberes ao longo da tua vida e ensino. Percebe que como os textos de Tardif, Raymond e Nunes sugerem que você é na verdade uma mistura de tudo, saberes, tempo e aprendizagem, isto é, não se pode separar o André professor, do André Químico, ou André estudante, todos eles são um só! E que isto é a mais absoluta verdade!
Goodson vai mais além e nos seus textos acresce que não são só os professores os afetados pelo processo de saberes, tempo e aprendizagem na hora de ensinar, mas que os alunos também aprendem de acordo com este processo, e que sofrem muito, quando utilizamos currículos fixos com bases em certos interesses não levando em conta o aluno como sujeito! Lembremos das perguntas no início do texto! Acabamos esquecendo que muitas das perguntas são as mesmas que fizemos há muito tempo como aluno, e que devido a este esquecimento, não conseguimos ensinar!
Neste modo de ensino, que caracteriza muitas das escolas brasileiras e principalmente no ensino de algumas ciências, o modo sistemático destrói qualquer chance de autonomia, pensamento crítico e diálogo, tanto do professor, que é incapaz de criar e questionar um método de ensino, e os resultados obtidos (notas, aprendizado, conhecimento,vestibular?) quanto do aluno, que prefere desistir da disciplina ou colar na prova, simplesmente para não ser reprovado. Já dizia o grande físico...
E que infelizmente acaba não existindo muitas vezes, pois o ensino acaba sendo algo concreto, sólido, duro e resistente, e não passível de mudança, de modificação, de composição.
Pra finalizar, deixo uma consideração final, acredito que nesta disciplina (que deveria ter mais tempo), podemos aplicar as teorias vividas e experienciadas nos textos lidos, podemos contar nossa história, podemos criar novas formas de ensinar e aprender, e acima de tudo podemos nos relacionar com as diferenças, e a partir destas pensarmos juntos em um futuro social inclusivo...
Ficamos por aqui!
Procurando uma breve definição em um dicionário e em livros que trabalham o tema, encontro as seguintes definições:
Aprendizado - O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento.
Contudo, a complexidade desse processo dificilmente pode ser explicada apenas através de recortes do todo. Por outro lado, qualquer definição está, invariavelmente, impregnada de pressupostos politico-ideológicos, relacionados com a visão de homem, sociedade e saber.
Conhecimento - O conhecimento é o ato ou a atividade de conhecer, realizado por meio da razão e/ou da experiência.
Ambas as definições nos trazem reflexões sobre os conteúdos trabalhados nos textos lidos, o conceito de saber, tempo e aprendizagem, além do conceito de currículo e futuro social.
E pergunto a vocês leitores perspicazes, sou da área de química mas me arrisco na área filosófica de vez em quando... O que é na verdade um aprendizado? Ou um saber? Será um curriculo um apanhado de saberes que se aplicado a um grupo de pessoas produz aprendizado? Como ensinar química? Como aprender química? Como ensinar alguem que queira ensinar química? Por que aprender química? Ou por que a vida é injusta? Por que perguntar? Por que ler este texto? Por que escrevê-lo? Qual o propósito disto? Estou aprendendo escrevendo isto?
Haha, garanto que muitos de vocês já se fizeram algumas destas perguntas em algum dia de suas vidas, ou até mesmo lendo o texto agora. E afirmo a vocês que principalmente as últimas perguntas são típicas. E um grupo muito específico adora realizá-las, o grupo dos aprendizes, hoje mais conhecidos como alunos.
Nos textos de Tardif e Raymond, assim como no texto de Celia Nunes, se discute a relação entre os saberes, os fenômenos de história da vida, da aprendizagem pré-profissional e a influência deste conjunto na formação da identidade docente. Goodson acaba complementando a idéia nos abrindo horizontes sobre a teoria curricular e novas formas de pensar o currículo e até mesmo sobre a influência do meio (no caso do autor, o movimento rock e punk inglês, além de sua origem) sobre a formação do professor.
Haha, mas terei de novo que ser chato, e fazer mais uma pergunta.
Um professor de química por exemplo, deve saber mais química ou saber ensinar melhor?
Pois bem, química pode ser ensinada ao ler-se um livro (assim se presume), aprende-se a teoria e assimila se o conceito constituindo assim uma aprendizagem mecânica. Logo após essa teoria é aplicada em um laboratório (infelizmente no Brasil não são todas as escolas que possuem) e ela é confirmada (ou não) fechando-se o processo. Agora você sabe que água e óleo não se misturam, mas você já sabia disso (se você cozinha)!
Bem, veja que o processo é simples, leia, memorize, aplique, tire suas conclusões e aprenda!
Pois bem, aplicando ao processo educativo então, você lê todos os autores que os professores te recomendam, Freud, Lacan, Durkhein, Marx, Locke, Freire, Goodson, Tardif, Raymond, memoriza o texto, tira suas melhores conclusões e assimila-se o conhecimento. Agora você vai para uma sala de aula aplicar suas teorias, e vê que tudo ocorre muito be... dá tudo errado! Mas onde foi que eu errei?
Era assim com a Química!
E aí você percebe a diferença entre conhecimento e aprendizagem!
Você percebe que o ato de ensinar não é algo concreto e teórico, que não pode ser aprendido a distância, que necessita ser vivenciado! E que o próprio ato de ensinar é um reflexo dos teus saberes ao longo da tua vida e ensino. Percebe que como os textos de Tardif, Raymond e Nunes sugerem que você é na verdade uma mistura de tudo, saberes, tempo e aprendizagem, isto é, não se pode separar o André professor, do André Químico, ou André estudante, todos eles são um só! E que isto é a mais absoluta verdade!
Goodson vai mais além e nos seus textos acresce que não são só os professores os afetados pelo processo de saberes, tempo e aprendizagem na hora de ensinar, mas que os alunos também aprendem de acordo com este processo, e que sofrem muito, quando utilizamos currículos fixos com bases em certos interesses não levando em conta o aluno como sujeito! Lembremos das perguntas no início do texto! Acabamos esquecendo que muitas das perguntas são as mesmas que fizemos há muito tempo como aluno, e que devido a este esquecimento, não conseguimos ensinar!
Neste modo de ensino, que caracteriza muitas das escolas brasileiras e principalmente no ensino de algumas ciências, o modo sistemático destrói qualquer chance de autonomia, pensamento crítico e diálogo, tanto do professor, que é incapaz de criar e questionar um método de ensino, e os resultados obtidos (notas, aprendizado, conhecimento,vestibular?) quanto do aluno, que prefere desistir da disciplina ou colar na prova, simplesmente para não ser reprovado. Já dizia o grande físico...
- "A curiosidade é mais importante do que o conhecimento."
E que infelizmente acaba não existindo muitas vezes, pois o ensino acaba sendo algo concreto, sólido, duro e resistente, e não passível de mudança, de modificação, de composição.
Pra finalizar, deixo uma consideração final, acredito que nesta disciplina (que deveria ter mais tempo), podemos aplicar as teorias vividas e experienciadas nos textos lidos, podemos contar nossa história, podemos criar novas formas de ensinar e aprender, e acima de tudo podemos nos relacionar com as diferenças, e a partir destas pensarmos juntos em um futuro social inclusivo...
Ficamos por aqui!
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Tabela Periodica e novas formas de ensino
Oi pessoal!
No próximo post farei um apanhado das discussões dos textos, já li todos eles e estou só aguardando assistir a uma aula desta quinta. Lá estamos discutindo a questão do currículo e da inclusão também!
Quinta a noite estará pronta espero!
Até lá fiquem com este vídeo que parece bobo, mas é super legal (eu achei pelo menos haha)
É um vídeo sensacional de um cara chamado Tom Lehrer, que é um professor de química que faz uns vídeos ultra-didáticos sobre quase todos os tópicos que a química ensina.
Este aqui é uma música chamada "The elements song".
É tudo em inglês mas a idéia é sensacional e conta os elementos da tabela periódica, até o ator do Harry Potter aprovou o cara, e decorou a música (tem maluco pra tudo).
Até a próxima!
No próximo post farei um apanhado das discussões dos textos, já li todos eles e estou só aguardando assistir a uma aula desta quinta. Lá estamos discutindo a questão do currículo e da inclusão também!
Quinta a noite estará pronta espero!
Até lá fiquem com este vídeo que parece bobo, mas é super legal (eu achei pelo menos haha)
É um vídeo sensacional de um cara chamado Tom Lehrer, que é um professor de química que faz uns vídeos ultra-didáticos sobre quase todos os tópicos que a química ensina.
Este aqui é uma música chamada "The elements song".
É tudo em inglês mas a idéia é sensacional e conta os elementos da tabela periódica, até o ator do Harry Potter aprovou o cara, e decorou a música (tem maluco pra tudo).
Até a próxima!
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Experiência, importância e influência
Salve galera!
Desculpem a demora nas postagens, estou de mudança (é um inferno na Terra) e infelizmente isto acaba afetando meu rendimento em quase tudo... Haja café e perseverança... haha!
Primeiramente antes de discutir tópicos mais profundos, gostaria de voltar ainda um pouquinho em uma questão bem legal de se discutir...
A diferença entre inteligência e sabedoria e o quanto você aprende com cada uma delas...
Muitas vezes acabo ouvindo que um sábio necessariamente precisa ser inteligente para ser sábio, ou que uma pessoa, por ser inteligente é necessariamente sábia em sua concepção. Pois bem, contarei uma experiência que me marcou muito sobre a concepção de como enxergamos nossos professores...
Quando era mais novo, por volta de 10 anos, fui matriculado, meio que contrariado, em um curso de Karatê. O objetivo não era bem claro pra mim de início, pois não entendia o porquê daquilo, e minha família só me dizia que era importante fazer alguma atividade física... Eu, mesmo com 10 anos, me questionava, porque não me matricularam no futebol, ou em algo parecido, já que todos os meus colegas jogavam bola (e eram melhores que eu) e eu queria ser melhor naquilo que todos faziam...
Pois bem, não adiantou chorar e espernear, e lá estava eu, treinando Karatê de início. Confesso que fiquei com medo, mas que acabei gostando depois de um período da atividade. Meu professor na época, Antônio Bendilati, o Shu, era uma pessoa de média estatura, careca, bigode, mas transmitia um ar de respeito e sinceridade no modo de falar individualmente com cada um, no modo de lidar com os adultos, e até mesmo com as crianças (comigo no caso). O Sensei, como chamavámos ele também, não chegou a terminar o Ensino Médio e utilizava-se do Karatê e de alguns outros trabalhos para sobreviver, sendo muitas vezes obrigado a aumentar o valor da mensalidade que cobrava da gente de R$15 por mês. Durante este período que passei no Karatê fiz muitas amizades, fui em competições, me diverti, sofri nos treinos, aprendi sobre disciplina e respeito, sobre normas de conduta ética e moral e muitas outras coisas que não se aprendem em sala de aula. Enfim uma experiência muito boa.
Paralelamente, ao treino de Karatê, também estudava em uma Instituição de Ensino Fundamental/Médio particular, e tive dentre muitos, ótimos professores de biologia, geografia, química, física, história, etc. Eles eram muito bons no que faziam sem dúvida, sabiam transmitir o conhecimento da disciplina como ninguém, decoravam datas e equações sem precisar de material de suporte, usavam de didáticas cotidianas e de técnicas de ensino novas. Tive um ótimo professor de Matemática, professor Beto como chamavámos, baixinho, de óculos, era um daqueles professores "pop", que possuía (na época) comunidades no orkut com muitos membros, e dava aula nos melhores cursinhos do Estado de SP, além de ser um dos precursores do estilo Comédia Stand-UP como forma de dar aula. Uma pessoa muito inteligente sem dúvida. Nunca soube nada dele além disso, não sabia se era casado, onde estudou, se passava dificuldades, etc. Notei que ele também não se interessava por cada aluno individualmente na sua forma de ensinar, era como se o ato de ensinar era apenas algo para atingir outro objetivo, o de passar no vestibular, no caso, ou de obter altos índices de nota. Pois bem, um ótimo professor, aprendi muita matemática com ele, mas de resto não aprendi muita coisa.
Mas sumarizando tudo isso, em que ponto quero chegar?
Bem, para concluir o pensamento citado acima é claro, a diferença entre sabedoria e inteligência...
No primeiro caso, temos Antonio Bendilati, o Shu, professor de Karatê, não concluinte do Ensino Médio, tendo que fazer bicos pra se virar, mas dotado de uma força de vontade de ensinar incrível, um senso comum, percepção e intuição elevadíssimas. Enfim uma pessoa que está atunada com e ao redor do mundo em que vive. Uma pessoa sábia, mas não muito inteligente.
No segundo caso, o Beto, professor de Matemática, concluinte do Ensino Superior, com possível Mestrado e Doutorado, capaz de processar e analizar informação rapidamente, e logo após transmiti-la de uma maneira fantástica e simples. Mas incapaz de perceber quando um aluno apresenta dificuldade, e de quando está sendo incoveniente com suas piadas Uma pessoa inteligentíssima, mas não muito sábia.
E quanto a experiência adquirida, a importância destes professores e a influência deles?
Bem quanto aos professores citados...
Minha experiência mais marcante como aluno não foi nenhuma específica destes professores que citei acima... hahaha
Mas sim a de, após muito tempo de reflexão, ter percebido que existem pessoas diferentes (sábias ou inteligentes ou feias ou burras ou bonitas) no mundo, que ensinam diferentes, com conteúdos diferentes, cada uma com sua personalidade e vida, e que esta identidade em conjunto com o meio social te definirá o professor que você um dia vai ser. E também que cada tipo de pessoa encaixa melhor num contexto que a outra (apesar de gostar mais do estilo do professor de Karatê, não sei se o método dele será melhor ao ensinar Matemática, e vice-versa).
Também não possuo nomes de professores que me marcaram profundamente (como sou chato, haha), acredito que todos eles nos marcam de alguma forma, uns mais outros menos. Mas que no fundo, quem se permite moldar é você mesmo através de suas experiências pessoais, empatia e conhecimentos já pré-adquiridos, seja com sua família, amigos ou na sala de aula.
Haha, acho que é isso, acabei me empolgando no pensamento, mas uma breve filosofada de vez em quando não mata ninguém.
Um abraço e até os próximos posts!
Desculpem a demora nas postagens, estou de mudança (é um inferno na Terra) e infelizmente isto acaba afetando meu rendimento em quase tudo... Haja café e perseverança... haha!
Primeiramente antes de discutir tópicos mais profundos, gostaria de voltar ainda um pouquinho em uma questão bem legal de se discutir...
A diferença entre inteligência e sabedoria e o quanto você aprende com cada uma delas...
Muitas vezes acabo ouvindo que um sábio necessariamente precisa ser inteligente para ser sábio, ou que uma pessoa, por ser inteligente é necessariamente sábia em sua concepção. Pois bem, contarei uma experiência que me marcou muito sobre a concepção de como enxergamos nossos professores...
Quando era mais novo, por volta de 10 anos, fui matriculado, meio que contrariado, em um curso de Karatê. O objetivo não era bem claro pra mim de início, pois não entendia o porquê daquilo, e minha família só me dizia que era importante fazer alguma atividade física... Eu, mesmo com 10 anos, me questionava, porque não me matricularam no futebol, ou em algo parecido, já que todos os meus colegas jogavam bola (e eram melhores que eu) e eu queria ser melhor naquilo que todos faziam...
Pois bem, não adiantou chorar e espernear, e lá estava eu, treinando Karatê de início. Confesso que fiquei com medo, mas que acabei gostando depois de um período da atividade. Meu professor na época, Antônio Bendilati, o Shu, era uma pessoa de média estatura, careca, bigode, mas transmitia um ar de respeito e sinceridade no modo de falar individualmente com cada um, no modo de lidar com os adultos, e até mesmo com as crianças (comigo no caso). O Sensei, como chamavámos ele também, não chegou a terminar o Ensino Médio e utilizava-se do Karatê e de alguns outros trabalhos para sobreviver, sendo muitas vezes obrigado a aumentar o valor da mensalidade que cobrava da gente de R$15 por mês. Durante este período que passei no Karatê fiz muitas amizades, fui em competições, me diverti, sofri nos treinos, aprendi sobre disciplina e respeito, sobre normas de conduta ética e moral e muitas outras coisas que não se aprendem em sala de aula. Enfim uma experiência muito boa.
Paralelamente, ao treino de Karatê, também estudava em uma Instituição de Ensino Fundamental/Médio particular, e tive dentre muitos, ótimos professores de biologia, geografia, química, física, história, etc. Eles eram muito bons no que faziam sem dúvida, sabiam transmitir o conhecimento da disciplina como ninguém, decoravam datas e equações sem precisar de material de suporte, usavam de didáticas cotidianas e de técnicas de ensino novas. Tive um ótimo professor de Matemática, professor Beto como chamavámos, baixinho, de óculos, era um daqueles professores "pop", que possuía (na época) comunidades no orkut com muitos membros, e dava aula nos melhores cursinhos do Estado de SP, além de ser um dos precursores do estilo Comédia Stand-UP como forma de dar aula. Uma pessoa muito inteligente sem dúvida. Nunca soube nada dele além disso, não sabia se era casado, onde estudou, se passava dificuldades, etc. Notei que ele também não se interessava por cada aluno individualmente na sua forma de ensinar, era como se o ato de ensinar era apenas algo para atingir outro objetivo, o de passar no vestibular, no caso, ou de obter altos índices de nota. Pois bem, um ótimo professor, aprendi muita matemática com ele, mas de resto não aprendi muita coisa.
Mas sumarizando tudo isso, em que ponto quero chegar?
Bem, para concluir o pensamento citado acima é claro, a diferença entre sabedoria e inteligência...
No primeiro caso, temos Antonio Bendilati, o Shu, professor de Karatê, não concluinte do Ensino Médio, tendo que fazer bicos pra se virar, mas dotado de uma força de vontade de ensinar incrível, um senso comum, percepção e intuição elevadíssimas. Enfim uma pessoa que está atunada com e ao redor do mundo em que vive. Uma pessoa sábia, mas não muito inteligente.
No segundo caso, o Beto, professor de Matemática, concluinte do Ensino Superior, com possível Mestrado e Doutorado, capaz de processar e analizar informação rapidamente, e logo após transmiti-la de uma maneira fantástica e simples. Mas incapaz de perceber quando um aluno apresenta dificuldade, e de quando está sendo incoveniente com suas piadas Uma pessoa inteligentíssima, mas não muito sábia.
E quanto a experiência adquirida, a importância destes professores e a influência deles?
Bem quanto aos professores citados...
Minha experiência mais marcante como aluno não foi nenhuma específica destes professores que citei acima... hahaha
Mas sim a de, após muito tempo de reflexão, ter percebido que existem pessoas diferentes (sábias ou inteligentes ou feias ou burras ou bonitas) no mundo, que ensinam diferentes, com conteúdos diferentes, cada uma com sua personalidade e vida, e que esta identidade em conjunto com o meio social te definirá o professor que você um dia vai ser. E também que cada tipo de pessoa encaixa melhor num contexto que a outra (apesar de gostar mais do estilo do professor de Karatê, não sei se o método dele será melhor ao ensinar Matemática, e vice-versa).
Também não possuo nomes de professores que me marcaram profundamente (como sou chato, haha), acredito que todos eles nos marcam de alguma forma, uns mais outros menos. Mas que no fundo, quem se permite moldar é você mesmo através de suas experiências pessoais, empatia e conhecimentos já pré-adquiridos, seja com sua família, amigos ou na sala de aula.
Haha, acho que é isso, acabei me empolgando no pensamento, mas uma breve filosofada de vez em quando não mata ninguém.
Um abraço e até os próximos posts!
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