domingo, 11 de setembro de 2011

Uma mistura de tempo,experiência e conhecimento - Reflexão sobre os textos de Maurice Tardif, Danielle Raymond,Célia Maria Fernandes Nunes e Ivor Goodson.

Começo este texto com uma breve reflexão... Qual a diferença entre aprendizado e conhecimento?

Procurando uma breve definição em um dicionário e em livros que trabalham o tema, encontro as seguintes definições:

Aprendizado - O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento.
Contudo, a complexidade desse processo dificilmente pode ser explicada apenas através de recortes do todo. Por outro lado, qualquer definição está, invariavelmente, impregnada de pressupostos politico-ideológicos, relacionados com a visão de homem, sociedade e saber.

Conhecimento -  O conhecimento é o ato ou a atividade de conhecer, realizado por meio da razão e/ou da experiência.

Ambas as definições nos trazem reflexões sobre os conteúdos trabalhados nos textos lidos, o conceito de saber, tempo e aprendizagem, além do conceito de currículo e futuro social.

E pergunto a vocês leitores perspicazes, sou da área de química mas me arrisco na área filosófica de vez em quando... O que é na verdade um aprendizado? Ou um saber? Será um curriculo um apanhado de saberes que se aplicado a um grupo de pessoas produz aprendizado? Como ensinar química? Como aprender química? Como ensinar alguem que queira ensinar química? Por que aprender química? Ou por que a vida é injusta? Por que perguntar? Por que ler este texto? Por que escrevê-lo? Qual o propósito disto? Estou aprendendo escrevendo isto? 

Haha, garanto que muitos de vocês já se fizeram algumas destas perguntas em algum dia de suas vidas, ou até mesmo lendo o texto agora. E afirmo a vocês que principalmente as últimas perguntas são típicas. E um grupo muito específico adora realizá-las, o grupo dos aprendizes, hoje mais conhecidos como alunos.

Nos textos de Tardif e Raymond, assim como no texto de Celia Nunes, se discute a relação entre os saberes, os fenômenos de história da vida, da aprendizagem pré-profissional e a influência deste conjunto na formação da identidade docente. Goodson acaba complementando a idéia nos abrindo horizontes sobre a teoria curricular e novas formas de pensar o currículo e até mesmo sobre a influência do meio (no caso do autor, o movimento rock e punk inglês, além de sua origem) sobre a formação do professor.

Haha, mas terei de novo que ser chato, e fazer mais uma pergunta.
Um professor de química por exemplo, deve saber mais química ou saber ensinar melhor?

Pois bem, química pode ser ensinada ao ler-se um livro (assim se presume), aprende-se a teoria e assimila se o conceito constituindo assim uma aprendizagem mecânica. Logo após essa teoria é aplicada em um laboratório (infelizmente no Brasil não são todas as escolas que possuem) e ela é confirmada (ou não) fechando-se o processo. Agora você sabe que água e óleo não se misturam, mas você já sabia disso (se você cozinha)!

Bem, veja que o processo é simples, leia, memorize, aplique, tire suas conclusões e aprenda!
Pois bem, aplicando ao processo educativo então, você lê todos os autores que os professores te recomendam, Freud, Lacan, Durkhein, Marx, Locke, Freire, Goodson, Tardif, Raymond, memoriza o texto, tira suas melhores conclusões e assimila-se o conhecimento. Agora você vai para uma sala de aula aplicar suas teorias, e vê que tudo ocorre muito be... dá tudo errado! Mas onde foi que eu errei?
Era assim com a Química!

E aí você percebe a diferença entre conhecimento e aprendizagem!
Você percebe que o ato de ensinar não é algo concreto e teórico, que não pode ser aprendido a distância, que necessita ser vivenciado! E que o próprio ato de ensinar é um reflexo dos teus saberes ao longo da tua vida e ensino. Percebe que como os textos de Tardif, Raymond e Nunes sugerem que você é na verdade uma mistura de tudo, saberes, tempo e aprendizagem, isto é, não se pode separar o André professor, do André Químico, ou André estudante, todos eles são um só! E que isto é a mais absoluta verdade!

Goodson vai mais além e nos seus textos acresce que não são só os professores os afetados pelo processo de saberes, tempo e aprendizagem na hora de ensinar, mas que os alunos também aprendem de acordo com este processo, e que sofrem muito, quando utilizamos currículos fixos com bases em certos interesses não levando em conta o aluno como sujeito! Lembremos das perguntas no início do texto! Acabamos esquecendo que muitas das perguntas  são as mesmas que fizemos há muito tempo como aluno, e que devido a este esquecimento, não conseguimos ensinar!

Neste modo de ensino, que caracteriza muitas das escolas brasileiras e principalmente no ensino de algumas ciências, o modo sistemático destrói qualquer chance de autonomia, pensamento crítico e diálogo, tanto do professor, que é incapaz de criar e questionar um método de ensino, e os resultados obtidos (notas, aprendizado, conhecimento,vestibular?) quanto do aluno, que prefere desistir da disciplina ou colar na prova, simplesmente para não ser reprovado. Já dizia o grande físico...
  • "A curiosidade é mais importante do que o conhecimento."
- Albert Einstein

E que infelizmente acaba não existindo muitas vezes, pois o ensino acaba sendo algo concreto, sólido, duro e resistente, e não passível de mudança, de modificação, de composição.

Pra finalizar, deixo uma consideração final, acredito que nesta disciplina (que deveria ter mais tempo), podemos aplicar as teorias vividas e experienciadas nos textos lidos, podemos contar nossa história, podemos criar novas formas de ensinar e aprender, e acima de tudo podemos nos relacionar com as diferenças, e a partir destas pensarmos juntos em um futuro social inclusivo...

Ficamos por aqui!

Um comentário:

  1. Que ótimas considerações André!
    Trouxeste pontos importantíssimos dos textos de forma muito clara. As teorias pedagógicas, os conteúdos e currículos definidos e utilizados em sala de aula são válidos somente quando atendem às necessidades, experiências e vivências dos sujeitos envolvidos neste processo. Do contrário, acabam sendo um conjunto de normas estáticas que impossibilitam a autonomia de professores e alunos, enrijecendo também a relação entre eles. Te desejo sorte e persistência na tua prática agora que estás te introduzindo nesta discussão tão importante.

    Abraços, Anelise.

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