Ultimamente tenho ouvido em todas as convenções educacionais a necessidade da interdisciplinaridade no método de ensino de hoje em dia... lembro que até quando estava no colégio (meados de 2005-2006) discutiam este tópico como uma nova forma de abordarem as provas e questões relativas ao vestibular.
Como sou natural de São Paulo, lá os vestibulares são um pouco diferentes, e havia uma necessidade muito grande das Universidades de grande porte como USP, UNESP e UNICAMP de incluírem alunos de classes menos favorecidas em seu espaço universal, sendo necessário reformularem as provas de maneira a garantir um acesso mais tranquilo a este grupo, em conjunto a um sistema de cotas já pré-existente.
No momento que prestei vestibular, não era exatamente interdisciplinar os conteúdos, muitos cobravam tópicos extremamente decorativos e inúteis, mas via uma tendência grande para a leitura e interpretação de textos nas provas, sendo a melhor representação pela prova do ENEM.
Neste sábado e domingo tivemos a prova do ENEM, e o conceito interdisciplinar novamente vêm a tona, devido a prova ter sido uma tentativa de unir as diferentes disciplinas em uma prova apenas, que pode servir de ingresso para muitos alunos ao Ensino Superior de qualidade. Nesta temática inclusiva, de que através de textos e conhecimentos, nenhuma matéria possue seu campo extremamente isolado, e sim são interligadas, é que pensamos a nossa atividade.
Como já disse pra vocês em postagens anteriores, trabalhei em um grupo de teatro com química por dois anos e meio. De certa forma meio dificil de se visualizar, mas muito legal quando você trabalha e vê o fruto do trabalho dando certo!
Nesta temática interdisciplinar, acredito que todo tipo de conhecimento pode ser ligado a outro tipo, sendo que o processo de formação e absorção dele é único, não pode ser separado e está intrinsicamente ligado a práticas cotidianas e sociais de nossa vida. Simplesmente por dizer, não acredito em separação dos conhecimentos, apenas que eles são separados em áreas de ensino, simplesmente para que possamos ter uma melhor visualização deles, e uma melhor forma de ensinar. Por isso se separam Química de Física, e História de Geografia, mas que no fundo eles são apenas um só e estão intrinsicamente ligados em uma rede muito mais complexa do que aparenta.
Nossa atividade é a seguinte:
Pretendemos trabalhar em uma turma de Ensino Médio sobre a temática do "ambiental" (não gosto da palavra meio ambiente) através de uma prática que fuja um pouco dos métodos tradicionais de ensino. Pretendemos trabalhar ensinando questões ambientais de uma maneira muito mais livre e didática, pretendemos trabalhar isto através de uma peça de teatro!
Aí você chega pra mim e diz "Tá louco? Isso é impossível, muito difícil..." e eu respondo "Não é não, é um desafio..."
Através de uma peça de teatro curta (aproximadamente 20-25 minutos) pretendemos despertar nos alunos esta consciência de que a criação do conhecimento é única! E está acontecendo a todo momento, em todas as nossas experiências, e de que não há uma forma melhor ou pior de se ensinar, mas que existem muitas formas... e de que qual forma isto se relaciona com o seu cotidiano, suas relações familiares, e tudo mais...
Através de vários integrantes de várias áreas específicas do conhecimento (Química, Biologia, Filosofia, Sociologia, Ed. Física) pretendemos mostrar que esta temática se encaixa em todos os tópicos, e que o desafio será interligar as diferentes disciplinas de modo que a transmissão e geração de conhecimento seja incrível!
A escolha desta temática foi feita casualmente. Anteriormente tinhamos escolhido o criacionismo como tema, devido a eu já ter tido trabalhado com este tópico anteriormente em uma peça de teatro entitulada "A Criação do Universo" e sugerido para os colegas e eles terem aceitado. Mas devido a facilidade e a importância das Questões Ambientias nos dias de hoje decidimos mudar o tópico para melhor nos suitarmos.
Estou muito apreensivo e esperando muito desta atividade! Como gosto muito de teatro e destas questões trabalhadas, realmente espero que consigamos nos articular e fazer um bom trabalho. Sei que este trabalho é muito gratificante e traz muitos bons frutos tanto para os atores quanto para os ouvintes. E para vocês caros colegas que irão ver a atividade em registros e compartilhamento.
Esperamos com esta atividade despertar o pensamento crítico sobre formas de ensino tradicionais, sobre a interdisciplinaridade do conhecimento, sobre a construção do conhecimento e sua absorção, além de, promover muita diversão, e proporcionar aos estudantes um momento de descontração e lazer com aprendizagem.
Caso haja tempo, planejamos também promover uma roda de discussão posterior de 20 a 25 minutos, com os alunos, estimulando-os em vários aspectos, no gosto pela arte, pela ciência, e pela maneira de como eles influenciam o meio em que vivem, e de maneira suas condutas ou comportamentos afetam o processo como um todo.
Estou muito empolgado e acho que a atividade renderá muita coisa!
Meu papel é o de cientista maluco, químico malvado haha, ou posso mudar de idéia e virar bonzinho, o que acham?
Um grande abraço! E ficamos por aqui.
Oi André,
ResponderExcluiralém de "sedimentada" nas tuas vivências a proposta revela coerência com aquilo que vens registrando no teu Portfólio. O teu entusiasmo é contagiante e estou curiosa para saber como vai ficar de fato a proposta. Será que vais ser mesmo um "cientista maluco"? Ou o estereótipo (rótulo) de Bonzinho vencerá? Aguardarei os próximos capítulos desta emocionante história...
Um carinhoso abraço,