Salve galera!
Desculpem a demora nas postagens, estou de mudança (é um inferno na Terra) e infelizmente isto acaba afetando meu rendimento em quase tudo... Haja café e perseverança... haha!
Primeiramente antes de discutir tópicos mais profundos, gostaria de voltar ainda um pouquinho em uma questão bem legal de se discutir...
A diferença entre inteligência e sabedoria e o quanto você aprende com cada uma delas...
Muitas vezes acabo ouvindo que um sábio necessariamente precisa ser inteligente para ser sábio, ou que uma pessoa, por ser inteligente é necessariamente sábia em sua concepção. Pois bem, contarei uma experiência que me marcou muito sobre a concepção de como enxergamos nossos professores...
Quando era mais novo, por volta de 10 anos, fui matriculado, meio que contrariado, em um curso de Karatê. O objetivo não era bem claro pra mim de início, pois não entendia o porquê daquilo, e minha família só me dizia que era importante fazer alguma atividade física... Eu, mesmo com 10 anos, me questionava, porque não me matricularam no futebol, ou em algo parecido, já que todos os meus colegas jogavam bola (e eram melhores que eu) e eu queria ser melhor naquilo que todos faziam...
Pois bem, não adiantou chorar e espernear, e lá estava eu, treinando Karatê de início. Confesso que fiquei com medo, mas que acabei gostando depois de um período da atividade. Meu professor na época, Antônio Bendilati, o Shu, era uma pessoa de média estatura, careca, bigode, mas transmitia um ar de respeito e sinceridade no modo de falar individualmente com cada um, no modo de lidar com os adultos, e até mesmo com as crianças (comigo no caso). O Sensei, como chamavámos ele também, não chegou a terminar o Ensino Médio e utilizava-se do Karatê e de alguns outros trabalhos para sobreviver, sendo muitas vezes obrigado a aumentar o valor da mensalidade que cobrava da gente de R$15 por mês. Durante este período que passei no Karatê fiz muitas amizades, fui em competições, me diverti, sofri nos treinos, aprendi sobre disciplina e respeito, sobre normas de conduta ética e moral e muitas outras coisas que não se aprendem em sala de aula. Enfim uma experiência muito boa.
Paralelamente, ao treino de Karatê, também estudava em uma Instituição de Ensino Fundamental/Médio particular, e tive dentre muitos, ótimos professores de biologia, geografia, química, física, história, etc. Eles eram muito bons no que faziam sem dúvida, sabiam transmitir o conhecimento da disciplina como ninguém, decoravam datas e equações sem precisar de material de suporte, usavam de didáticas cotidianas e de técnicas de ensino novas. Tive um ótimo professor de Matemática, professor Beto como chamavámos, baixinho, de óculos, era um daqueles professores "pop", que possuía (na época) comunidades no orkut com muitos membros, e dava aula nos melhores cursinhos do Estado de SP, além de ser um dos precursores do estilo Comédia Stand-UP como forma de dar aula. Uma pessoa muito inteligente sem dúvida. Nunca soube nada dele além disso, não sabia se era casado, onde estudou, se passava dificuldades, etc. Notei que ele também não se interessava por cada aluno individualmente na sua forma de ensinar, era como se o ato de ensinar era apenas algo para atingir outro objetivo, o de passar no vestibular, no caso, ou de obter altos índices de nota. Pois bem, um ótimo professor, aprendi muita matemática com ele, mas de resto não aprendi muita coisa.
Mas sumarizando tudo isso, em que ponto quero chegar?
Bem, para concluir o pensamento citado acima é claro, a diferença entre sabedoria e inteligência...
No primeiro caso, temos Antonio Bendilati, o Shu, professor de Karatê, não concluinte do Ensino Médio, tendo que fazer bicos pra se virar, mas dotado de uma força de vontade de ensinar incrível, um senso comum, percepção e intuição elevadíssimas. Enfim uma pessoa que está atunada com e ao redor do mundo em que vive. Uma pessoa sábia, mas não muito inteligente.
No segundo caso, o Beto, professor de Matemática, concluinte do Ensino Superior, com possível Mestrado e Doutorado, capaz de processar e analizar informação rapidamente, e logo após transmiti-la de uma maneira fantástica e simples. Mas incapaz de perceber quando um aluno apresenta dificuldade, e de quando está sendo incoveniente com suas piadas Uma pessoa inteligentíssima, mas não muito sábia.
E quanto a experiência adquirida, a importância destes professores e a influência deles?
Bem quanto aos professores citados...
Minha experiência mais marcante como aluno não foi nenhuma específica destes professores que citei acima... hahaha
Mas sim a de, após muito tempo de reflexão, ter percebido que existem pessoas diferentes (sábias ou inteligentes ou feias ou burras ou bonitas) no mundo, que ensinam diferentes, com conteúdos diferentes, cada uma com sua personalidade e vida, e que esta identidade em conjunto com o meio social te definirá o professor que você um dia vai ser. E também que cada tipo de pessoa encaixa melhor num contexto que a outra (apesar de gostar mais do estilo do professor de Karatê, não sei se o método dele será melhor ao ensinar Matemática, e vice-versa).
Também não possuo nomes de professores que me marcaram profundamente (como sou chato, haha), acredito que todos eles nos marcam de alguma forma, uns mais outros menos. Mas que no fundo, quem se permite moldar é você mesmo através de suas experiências pessoais, empatia e conhecimentos já pré-adquiridos, seja com sua família, amigos ou na sala de aula.
Haha, acho que é isso, acabei me empolgando no pensamento, mas uma breve filosofada de vez em quando não mata ninguém.
Um abraço e até os próximos posts!
Exemplos interessantes, André.
ResponderExcluirUm professor que lida diretamente com os alunos, discutindo/ensinado/aprendendo valores, com paixão pelo "ato de ensinar"; outro que possui alta capacidade de reter e "transmitir" informações mas que não prioriza a troca direta com os alunos. Como tu disseste, estes dois casos se encaixam em contextos diferentes. Mas tu que vivenciaste estes momentos, trazes alguma influência direta que acredita ter influência na tua docência, além das tuas demais experiências?
Abraços, Anelise.